JÚRI REALIZADO POR CRIMINOSOS – CINCO ACUSADOS IRÃO A JULGAMENTO PERANTE A JUSTIÇA ESTADUAL

Lei a matéria de Bruna Lencioni (republicada com autorização da autora)

O processo é longo, envolve cinco pessoas e foi desmembrado em três durante sua tramitação na Justiça, devido à complexidade. O júri popular também deverá render um dia longo no Tribunal do Júri, dia 25 de fevereiro, quando serão julgados os acusados pela morte do agricultor Everaldo Roque Lima, 41, em dezembro de 2006, por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ação movida pelo promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua tramitou na 2ª Vara Criminal, do juiz titular Luiz Augusto Barrichello Neto, que pronunciou os réus e remeteu o julgamento ao júri popular. Os cinco acusados de promover um “tribunal” para julgar, condenar e assassinar o agricultor, com requintes de crueldade, são: A. R.S., conhecido como “Aquático” ou “Quá-Quá”; F.B.S., o “2L” ou “Lulu”; F.R.D., o “Pio”; J. A. F., o “J” ou “Jão” e M.A.M., o “Maloqueiro” ou “Pareja”.

São três processos com data marcada para julgamento dos réus acusados de um assassinato que provocou comoção, em razão da crueldade da execução. Everaldo, que estava apenas e bermuda, foi encontrado de bruços (com a barriga para baixo) com o braço decepado na altura do cotovelo e um dos olhos retirados, provavelmente com faca.

O corpo foi encontrado em meio a canavial da Fazenda Duas Barras, com acesso pelo km 4 da Via Prefeito Jurandyr Paixão C. Freire (Tatuibi). A perícia constatou perfurações, causadas por tiros na cabeça e em diversas partes do corpo. Peritos recolheram cartuchos deflagrados de pistola, próximos ao corpo.

SEM DEFESA

O promotor de acusação classificou o crime como “evidente ânimo homicida, mediante tortura, recurso que impossibilitou a defesa da vítima”. No processo, de número 008/07, os cinco foram denunciados pelo artigo 121, parágrafo 2º, incicos II, III e IV; artigos 29 e 288, parágrafo único, do Código Penal, ou seja, homicídio qualificado, e de associação em quadrilha ou bando para cometer o crime.

Na denúncia, o promotor relata as comunicações entre os acusados, mediante escuta telefônica autorizada pela Justiça. “Aquático” teria ligado para “Pio”, dizendo estar com o suspeito de estupro de uma moça, A.A.B. Depois desse contato e entre os outros membros do grupo, decidiram pelo “xeque-mate”, ou seja, a sentença de morte de Everaldo.

“SOFRIMENTO ATROZ”

Bevilacqua cita, na denúncia, que a vítima foi julgada e morta, porém antes sofreu tortura física que causou “sofrimento atroz”. A hipótese levantada à época, de que Everaldo havia sido morto porque teria molestado sexualmente uma mulher da vizinhança, onde residia, no Ernesto Kühl, foi negada veementemente pela família.

Após a prisão de oito pessoas, pela “Operação Varredura”, acusadas de vários homicídios, latrocínio, associação para o tráfico e de pertencerem ao PCC, a Polícia Civil chegou à conclusão de que a ordem para execução de Everaldo foi dada por “Maloqueiro”, preso em Sumaré.

Ele teria sido consultado pelo grupo de Limeira sobre o que fazer com a vítima, acusada de “mexer com mulher de preso”. A mulher com quem ele se envolveu acabou acusando-o de estupro, supostamente para não se comprometer. A ordem foi para “judiar”, porém os assassinos do agricultor acharam que o estupro merecia algo pior e resolveram matá-lo. Os acusados estão presos.

Clipping da Gazeta de Limeira  de 28 de janeiro de 2010

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